Metaforia Constante de Olhos que Ouvem Vida [ou resgatam o trauma da boca calada]

9.7.07

A Casa Demolida

Hoje deixo a casa antiga,
sapatos à porta
e sigo.

Construção de pau-à-pique.
Erguida ao pique do possível.
Levantada com a força da proteção.
A necessidade segunda da vida:
abrigação.

O terreno é de empréstimo.
A terra é de encontro.
Negociado.

Por uns, surrupiado.
Pelo justo, pelo mínimo,
alcançado.

Ocupado, apropriado.

Aquela casa acalenta,
de todo o frio do qual não se pode morrer.
Do frio que extermina.
Mas não do frio que somente-incomoda.

Uma casa de ontem.

Uma casa pequena.

Uma casa.

Assim, demolida de tempo.
Corroída das horas.
Efêmera como homens.

Passageira.

São assim como os pensamentos, como as razões e os sentimentos.
Vão-se construindo ao material disponível (tanto escasso dia-de-hoje),
duram o tempo de uma vida, meia-vida, instante-de-vida e desaparecem.

Operária solitária,
(falta-algo)
em busca do
terreno, da
matéria, e da
razão.

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