Metaforia Constante de Olhos que Ouvem Vida [ou resgatam o trauma da boca calada]

12.11.09

terça de noite

Caminhava de nariz empinado.

E a baiana estendida no sargaço
de beira de céu, Largou do talo, rainha?,

Avoei, padroeira!

Dobrando esquina,
estrelas. Minhas mãos nelas.
Com escorpião marcado,
câncer-terápico e galo!

Sonhei estes dias que descia uma escada e dava na areia.
O mar era preto.
Do lado direito um baú negro,
laqueado-estanque.

Andei por trás da caixa,
baixa no joelho,
entre mim e o mar.

Cheguei no fim da praia e tinha um espaço
entre o cubo e o fim.
Me escondi.

Foi daí que veio a baiana e você já entendeu todo o resto.
Cruzei a cruz no peito,
a dona chorou,
(e ela era eu). O céu se abriu,
de noite que era
e fuimembora.

23.10.09

pedra de sal

"Pro rodear das águas escolhidas
De tão pressa foi
Doeu, doeu, doeu, doeu, doeu."
(Júnio Barreto, Bonita de Pedra e Céu)


O gosto do sal rasgava narinas. Ouvi as fissuras abrindo-se em torno das cordas com todos os nós. Grito vira fumaça debaixo da água. Estive presa em minhas próprias cordas. O mundo é um negrume estanque e tortuoso. E eu cinza-morta. Um dia impestuosa Salácia dispôs, Para vida, tua essência. Consumada, flutuei semi-extinta. Calçada pelo talo suficiente: foram minhas cordas-de-voz enraizadas no fundo do poço infinito, que prendiam com nós os meus pés e deixavam a boca engasgar. Anestesia da água. De ar. Com sal.

Vinte e oito anos a-vagar.

15.10.09

Cada Um

Um poço complexamente insignificante diante do
mundo.

29.9.09

miniode

Vem, vem esse ser que é Golias.
Estávamos tragados pelo íntimo do dia. da noite
que se fechava em círculos.

Estive presa em Golias - No escudo dos seiscentos e trinta e dois ciclos.
Dançamos um tango de braços entrecortados;

Um expurgo de marchas oniscientes.
açudes completos. até a boca.

Até a boca de Ione.
Uma baba escorrida no canto do olho.

Está tudo bem. O dia foi bom.
Dormimos todos feito a porra do anjo.

21.9.09

por email

SILVIA (sentada ao meu lado, em frente ao piano)
{roteiro em primeira pessoa, tsc}

"Às vezes, quando nos repreendemos muito, é como se fechássemos uma torneira que deveria estar aberta. E aí quando resolvemos abrir de novo, a água que sai vem suja*. Porque tava acumulada. Com a torneira aberta, a água vai se limpando..."

Quem sabe um dia a minha se limpa.

beijo,
Paula

*ah, você sabe... já falamos sobre isso.

12.9.09

a beleza no puro do caos

preto vermelho vermelho preto preto vermelho vermelho preto

vermelho preto preto vermelho preto vermelho vermelho preto

vermelho veremlho vermelho vermelho preto preto preto preto

preto preto vermelho vermelho preto preto vermelho vermelho

vermelho preto preto vermelho preto preto vermehlo vmerelho

preto preto vermelho vermelho vermelho vermelho preto preto

oretp vermelho preto vermelho preto vremelho preto vermelho

vermelho vermelho preto vermhleo preto preto vermelho preto

9.9.09

dois de nove

Outro, outro, outro.

sabe o que É?, é-que sai assim, sem jeito de olhar duas vezes.

Um infinito submerso de palavras ondulantes
prestativas em mensagens esquisitas.

sempre e sempre e de novo tentando explicar tudo naqueles mínimos,
prestando recibo numerado e assinado de todos os sentimentos
exercício de ritmo fortuito
quatro que tique cinco tique tique dois

Clássico! É o clássico, porra!

pega o estilete e organiza o pozinho solto na superfície,
tipo aquele rodinho de japonês com areia.
e essa energia de incenso e água fluidificada faz tudo rachar.

As plantas estão morrendo.
eu não posso que elas morram, mãe.

A intenção suja

quando o en vira ui, o texto se perde,

coitado.

mudo do oit para uid e a coisa começa a melhorar.